quarta-feira, 29 de julho de 2026

18° Domingo Comum - MULTIPLICAR COMPAIXÃO PARA QUE NINGUÉM PASSE FOME!

Certa vez um ex-ministro da economia elogiou publicamente um ex-presidente da República, seu opositor político, por ter ele tirado da fome mais de 30 milhões de pessoas, num breve espaço de tempo, com baixos investimentos e com alguns ajustes nos programas sociais. Sem mágicas, aquele mandatário mostrou que com pouco se pode fazer muito em favor de quem passa fome, e que não pode ‘comprar’ comida. A preocupação de Jesus no evangelho de hoje não é tanto com a falta de alimento, pois Ele sabia que, mesmo mal distribuído, já se encontrava no meio da multidão. A angústia do Mestre era, antes, ‘multiplicar o pão da compaixão e da generosidade’ daqueles que têm abundância de comida, mas têm escassez de sensibilidade.Diante do drama de um povo faminto, Jesus descarta, radicalmente, aderir à lógica do mercado: comprar e vender; quem têm dinheiro, compra, quem não têm, passa necessidade. Entende que poucos pães e alguns peixes, - se, generosamente, postos em comum, - poderiam saciar um grande número de famintos. Ao persuadir pessoas, - geralmente egoístas e indiferentes, - a colocarem em comum a sua comida pessoal em favor de todos, Jesus opera um verdadeiro ‘milagre’. Um gesto-sinal que, no entanto, está ao nosso alcance! Que sejamos incansáveis multiplicadores e reprodutores de compaixão e de justiça para os que têm fome e sede de equidade!


terça-feira, 28 de julho de 2026

"A Cisjordânia está sangrando, os colonos estão aterrorizando". Artigo de Padre Ibrahim Faltas

Na Terra Santa, a violência que nunca a abandonou está se intensificando novamente. Essa violência se estende a novos atos de vingança, aumenta o número de mortos e a destruição, diminui as perspectivas de paz e aprisiona mentes e corações atrás de arame farpado. A Cisjordânia queima, sangra e clama em dor e sofrimento. Assim como Gaza, a Cisjordânia é um território que perdeu sua noção de escala e limites, irreconhecível, uma terra dividida física e socialmente, devastada por feridas profundas e violada em sua identidade histórica. Cada canto desta terra sofre violência e destruição diariamente; cada habitante suporta dificuldades, limitações, sofrimento e humilhação que aumentam a cada dia.

Pessoas estão morrendo em uma guerra não oficial, não declarada, porém contínua, constante e generalizada. A queima de casas e terras é incontável; não é mais possível viajar de uma cidade para outra, ou mesmo entre cidades próximas, para buscar atendimento médico de emergência, trabalhar, ajudar parentes ou defender pequenas propriedades familiares ocupadas e adquiridas ilegalmente por colonos autoritários e violentos. Recebo inúmeros pedidos de ajuda para necessidades que se tornaram graves, perigosas e difíceis de atender. Os inúmeros postos de controle — mais de mil — e postos de controle móveis agora fazem parte de uma paisagem que antes definia a história e a vida dos palestinos: trabalho nos campos, vastos olivais, animais pastando, cidades, grandes e pequenas, repletas de sons, cores e vida.

Ao longo dos anos, os assentamentos cercaram todas as aldeias, todos os sinais e símbolos de coexistência. A vida palestina é permeada pela violência, mas eles não a acolhem; pelo contrário, a sufocam. Abafam as esperanças dos jovens que nem sequer conseguem imaginar o seu futuro, destroem as expectativas daqueles que trabalharam incansavelmente para construir o passado e o presente, e destroem os sorrisos e os sonhos das crianças que veem a sua terra devastada, reduzida a nada e desprovida de cor. Pais impossibilitados de levar seus filhos ao hospital para cuidados frequentes, filhos impedidos de reencontrar seus pais idosos e doentes, pais detidos em postos de controle que os impedem de ir trabalhar: essas são situações que se repetem há meses, até mesmo anos, na Cisjordânia. As pessoas estão desesperadas e aterrorizadas pelas inúmeras incursões de colonos que, impunemente, semeiam medo e terror entre os pobres, que não encontram refúgio nem mesmo em suas próprias casas.

Os apelos urgentes do Santo Padre pelo fim da violência devem ser ouvidos tanto por aqueles que a perpetram quanto por aqueles que se omitem em intervir para deter essa espiral interminável. As eleições anunciadas e agendadas para os próximos meses em Israel e na Palestina devem trazer um novo equilíbrio e verdadeira justiça para ambos os povos. A esperança de que o curso da história possa ser mudado não abandona aqueles que têm fé e confiança no Senhor.

A geração mais conectada de todos os tempos nunca esteve tão sozinha. Artigo de Josiane Tonelotto

Nunca uma geração teve tanto acesso à informação, entretenimento e conexão com qualquer parte do planeta. Basta um toque para falar com alguém do outro lado do mundo ou acompanhar a vida de milhares de pessoas. Ao mesmo tempo, nunca se relatou tamanha sensação de vazio. Esse paradoxo é um dado que merece muita atenção. Já em 2019, antes da pandemia, a Organização Mundial da Saúde registrou que cerca de 14% dos adolescentes no mundo tinham algum transtorno mental.

O suicídio respondia por mais de uma em cada cem mortes nessa faixa etária. A Covid-19 não criou o problema, mas o tornou visível e de forma brutal. No Brasil, estudo da Fiocruz publicado em dezembro de 2025 com dados do SUS mostrou que jovens de 15 a 29 anos têm o maior risco de suicídio do país: 31,2 por 100 mil habitantes, acima da taxa geral de 24,7. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar de 2024, do IBGE, com mais de 118 mil estudantes de 13 a 17 anos, divulgada em março de 2026, revela que 3 em cada 10 adolescentes se sentem tristes sempre ou na maior parte do tempo. Quase um em cada cinco diz que a vida não vale a pena. São números dolorosos que, mais do que conhecer, precisamos compreender. O sofrimento dessa geração não é fraqueza nem modismo. Tem causas concretas, que se sobrepõem no período mais delicado do desenvolvimento humano: a adolescência e início da vida adulta. Do ponto de vista biológico, neste momento o cérebro ainda está em plena reorganização. O córtex pré-frontal, responsável pelo controle emocional e pela tomada de decisões, só atinge maturidade por volta dos 25 anos. É também o período em que cada jovem busca responder, as vezes sem apoio suficiente, às perguntas mais difíceis da vida: quem sou, o que valorizo, onde me encaixo. Essas perguntas sempre existiram. O que mudou profundamente foi o ambiente em que precisam ser respondidas: um ambiente de comparação permanente, pressões aceleradas e vínculos cada vez mais frágeis.

Esse período de vulnerabilidade biológica coincide com transformações tecnológicas, culturais, familiares e institucionais mais rápidas do que nossa capacidade coletiva de resposta. Os jovens não estão piores do que os de gerações anteriores: enfrentam condições mais complexas, com menos suporte do que precisam e uma profusão de estímulos informacionais, justamente no momento do desenvolvimento em que são mais vulneráveis. Esse é um terreno fértil para o adoecimento. Ansiedade depressão são hoje os transtornos mentais mais comuns entre jovens, com crescimento expressivo no consumo de antidepressivos, inclusive por automedicação. O sinal de alerta está aceso. A pergunta que se impõe não é apenas o que está acontecendo com os nossos jovens, mas sim o que estamos fazendo, ou deixando de fazer, para mudar esse quadro.

Cuidar da saúde mental dos jovens não é tarefa exclusiva de especialistas. É uma responsabilidade coletiva: validar emoções em vez de minimizá-las, criar espaços reais de escuta, permitir que a frustração faça parte da vida, porque ela faz, e compreender que resiliência não é ausência de sofrimento, mas a capacidade de atravessá-lo e seguir. Uma geração que não aprende a lidar com o que sente não encontrará, no futuro, recursos para lidar com o que viver.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

COMUNIDADES CATÓLICAS DE AÇAILÂNDIA NO DIA 26 DE JULHO CELEBRAM MAIS UMA 'FESTA DA COLHEITA'

 

FESTA DA COLHEITA 2026 – MORADIA E POLÍTICAS PÚBLICAS

Não existe colheita se não há frutos! Como celebrar a Festa da Colheita se há escassez de frutos porque não houve verdadeira semeadura, ou por ela ter sido inadequada?

Muitos de nós que vêm se engajando e participando da tradicional Festa da Colheita que, há mais de 10 anos a igreja católica da região pastoral de Açailândia vem promovendo, gostariam de saborear alguns frutos das Políticas Públicas que são implementadas no nosso território. Infelizmente, estamos submetidos a uma espécie de jejum forçado. Constatamos uma grave escassez de frutos maduros quanto ao reconhecimento concreto dos nossos direitos à habitação, à educação, à saúde, às infraestruturas, ao ambiente, à assistência para quem produz e trabalha na terra.

O tema da Festa da Colheita – Moradia e Políticas Públicas, - deste ano se transforma num grito de alerta para que os gestores públicos do nosso município despertem, e cuidem conosco do imenso solo que somos nós, cidadãos e cidadãs de Açailândia!

Em primeiro lugar a moradia, - que é o tema central da Campanha da Fraternidade deste ano, - entendida como espaço não somente físico, mas como lugar humanizador de direitos.

Moradia como ‘manjedoura acolhedora’, onde nos sentimos aliados uns dos outros, protegidos e amados. Onde deveríamos experimentar respeito e paz, segurança afetiva e alimentar, moral e ambiental, para nós e para os nossos filhos.

Lamentavelmente, constatamos que a maioria absoluta das nossas moradias carece ainda de saneamento básico, de água potável, de calçamento adequado, e iluminação pública suficiente, entre outros, no entanto os valores das taxas públicas que temos que pagar, mensalmente, chegam a ser escorchantes. Muitas das nossas famílias ainda não possuem casa própria, vivem precariamente, sem documentação, e de aluguel, cujos valores aumentam a cada dia.

Em segundo lugar, o prato das Políticas Públicas que nos é servido pela administração municipal e estadual comprova que faltam aquelas ‘primícias essenciais’ que ardentemente almejamos, e que desde há muito tempo nos foram prometidas.

Muitas famílias gostariam de colher e de se fartar dos frutos maduros de um sistema educacional abrangente e de qualidade; de um acompanhamento atencioso à saúde preventiva, - principalmente para os mais fragilizados, - e no atendimento médico-hospitalar digno; de uma implementação urgente e definitiva de um sistema de saneamento básico para todos e, enfim, de mecanismos efetivos para combater e evitar a poluição que vem destruindo vidas.

Que nesta Festa da Colheita nos sintamos autênticos semeadores, dedicados, e conscientes de que temos muitas sementes boas para plantar no nosso território. Que ninguém desperdice essas sementes e que ninguém se canse de preparar adequadamente o ‘solo humano-espiritual’ de cada cidadão e cidadã para que germine e floresça, abundantemente, a justiça, a paz, e o BEM-VIVER!

 

 

17ª domingo comum - É preciso investir tudo no que dá sentido à vida!

O verdadeiro dilema e desafio na vida é descobrir uma vez por todas o ‘verdadeiro tesouro’ que dá sentido e que proporciona a alegria de viver. De fato, parece que ao longo da nossa trajetória humana, à procura de felicidade, nos equivocamos frequentemente nas nossas escolhas. Afinal, a felicidade jamais pode ser o objetivo último; ela é, isso sim, o ‘salário-tesouro’ que ganhamos ao vivermos plenamente aqueles valores com os quais nos identificamos. Jesus deixa claro que ao descobrirmos o verdadeiro sentido da nossa vida temos que ser radicais em subordinar tudo a ele. Lembra-nos que não pode haver nenhuma tentativa de conciliação entre o que nos preenche de verdade com o que as nossas ambições desviantes, muitas vezes, almejam. Se descobrimos, por exemplo, que nos sentimos bem em nos doar, em servir, em acolher, em sermos honestos, em estar próximos das pessoas, - mesmo experimentando carências e incompreensões, - é imperativo renunciar, radicalmente, ao desejo de querer acumular, mandar, manipular, e se preocupar só consigo mesmo. É preciso, portanto, fazer um discernimento-separação como um bom pescador faz após uma pescaria, e escolher o que vive e dá vida-felicidade, e não o que representa podridão, morte e vazio interior.


quarta-feira, 22 de julho de 2026

A praga das bets. Artigo de André Islabão

 Agora que a Copa do Mundo acabou de maneira constrangedora para os brasileiros, um dos assuntos mais quentes é a discussão sobre a praga das apostas virtuais (as chamadas "bets") e os danos que elas causam à sociedade. Para quem ainda não sabe, o vício em jogo já é bem estabelecido como uma doença mental (o transtorno do jogo ou ludopatia) e pode causar tantos males à saúde quanto o vício em cigarros, álcool, drogas e outras tantas adicções.

Porém, as chamadas bets representam algo muito mais pernicioso para a sociedade, uma vez que a tentação está sempre presente na tela do smartphone ou computador do usuário, o que garante que o vício seja perpetuado por meio de um círculo vicioso alimentado por doses generosas de ganância e dopamina. É basicamente como ter um traficante de drogas dentro de casa e sempre à disposição.

As histórias de pessoas que perdem as economias de uma vida em apostas virtuais ou que cometem suicídio em decorrência disso têm aumentado de maneira assustadora, não deixando dúvida de que o vício em bets representa um problema gigante em termos de saúde pública. Para se ter uma ideia, um levantamento nacional sobre o assunto mostrou que mais de 10 milhões de pessoas apresentam problemas relacionados ao jogo no Brasil, muitas vezes envolvendo as apostas virtuais, o que desencadeia doenças mentais graves e dificuldades financeiras que envolvem não apenas o paciente e a família, mas toda a sociedade.

As pesquisas também mostram que o país gasta mais em apostas virtuais do que em saúde pública. O gasto com as bets em 2026 já passa de incríveis 30 bilhões mensais, enquanto o orçamento mensal do SUS não chega a 20 bilhões. A simples observação desses números deixa claro que vivemos em uma sociedade absurdamente adoecida. Para piorar, gastamos duplamente com as bets: gastamos bilhões ao fazer as apostas e depois gastamos mais um tanto para oferecer atendimento a uma população cada vez mais viciada.

Para quem ainda acredite na lisura dessas apostas virtuais, é interessante observar um estudo de 2023-2024 realizado pelo Itaú após analisar, durante um período de 12 meses, as movimentações financeiras envolvidas na jogatina desvairada: enquanto os brasileiros gastaram nada menos que 68 bilhões em apostas, os prêmios arrecadados pelos poucos felizardos somaram escassos 200 milhões. Ou seja, as casas de apostas embolsaram descaradamente bilhões de reais dos jogadores incautos.

Mas o problema mais grave envolvendo as chamadas bets e a sociedade talvez seja a desfaçatez com que lidamos com o problema. Enquanto os profissionais de saúde lidam diariamente com um número crescente de doenças relacionadas ao vício em jogo, a sociedade segue aplaudindo exatamente aquelas pessoas que só fazem piorar o problema, ou seja, todos aqueles que aceitam dinheiro das empresas de apostas virtuais para fazer propaganda da jogatina e levar as pessoas e a sociedade à bancarrota econômica e moral.

Essas são as chamadas celebridades, aquelas pessoas que, muitas vezes por motivos alheios ao bom senso, a sociedade escolheu para serem celebradas e servirem de modelo à nação. Entre essas celebridades que canhestramente emprestam seu nome e imagem para a exploração das bets estão muitos jogadores de futebol, astros da música popular e apresentadores de programas de TV. O que todos eles têm em comum, além de uma queda por ganhar dinheiro fácil, é o descaso pelas consequências de suas decisões.

comentário do blogueiro - Tiro o chapéu para o craque de futebol francês, Mappé, que sempre vem se recusando a fazer qualquer tipo de publicidade em favor de Bets ou permitir o uso da sua imagem relacionada a essa praga....

 

terça-feira, 21 de julho de 2026

Indígena Guajajara é assassinado na Terra Indígena Canabrava no Maranhão

A Polícia Civil do Maranhão instaurou um inquérito para investigar a morte do indígena Gedequias Pereira Araujo Guajajara, de 35 anos. Ele foi baleado no domingo (19), na Aldeia Jerusalém, em Jenipapo dos Vieiras. A motivação do crime ainda é desconhecida. Segundo a polícia, Gedequias foi baleado durante uma discussão em um bar e restaurante da comunidade. Familiares o socorreram e seguiram em direção a Grajaú, mas ele morreu antes de chegar ao hospital. A Polícia Civil apontou Manoel Ornilo Vieira Lopes como o principal suspeito do homicídio. Ele fugiu do estabelecimento após o disparo e ainda não havia sido localizado até a publicação desta reportagem. Indígena morre após ser baleado durante discussão em aldeia no Maranhão. Os levantamentos iniciais indicam que Gedequias e o investigado mantinham uma convivência aparentemente pacífica. Até o momento, a polícia não encontrou registros de desavenças anteriores entre os dois. A polícia vai apurar a motivação e as circunstâncias do crime. Testemunhas que estavam no estabelecimento durante a discussão também deverão ser ouvidas. (Imirante)